50 anos sem JK

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Leia artigo de João Neutzling Jr.


Dom Bosco (1815-1888), sacerdote italiano, era famoso por seus sonhos mediúnicos e premonitórios. Em uma dessas manifestações oníricas, ele disse: “Entre as latitudes 15 e 20 aparecerá aqui a terra prometida, de onde jorrará leite e mel. Será uma riqueza inconcebível”. Justamente nestas latitudes está Brasília, capital nacional, fundada em 1960.

Até então, a capital nacional era a cidade do Rio de Janeiro, mas sempre houve a ideia de mudar a capital para o centro do país, mudança esta que ocorreu com Juscelino Kubitschek, JK, (1902-1976), presidente do país em 1956-1961. Eleito presidente em 1955, tinha por mote o slogan 50 anos em 5 e um plano arrojado desenvolvimento econômico consubstanciado no famoso Plano de Metas. Este plano tinha por ênfase Energia, Transportes, Alimentação/Agricultura, Educação e Indústria de Base.

A ênfase do Plano consistia na implantação de segmentos extremamente importantes de infraestrutura econômica e de setores industriais, especialmente a indústria de bens de consumo durável, cuja maior representação é a indústria automobilística.

Porém, JK pecou ao fortalecer o transporte de cargas por meio rodoviário ao invés de usar o modal ferroviário, erro grave!

Um problema é que o país não tinha poupança financeira suficiente para o Plano de Metas, logo ocorreram déficits contínuos no Balanço de Pagamentos (Demonstrativo que contabiliza a entrada e saída de recursos do país para o exterior) que obrigaram o governo JK a recorrer à poupança externa. Mas o governo JK rompeu com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1959 que permitia a concessão de empréstimos condicionada a um plano recessivo de ajuste fiscal e contenção salarial. Com o quê o governo não concordava.

Na verdade, o sistema intermediário financeiro nacional era orientado basicamente para servir a uma economia mercantil, não tinha envergadura para financiar o Plano de Metas.

A crise econômica se agravou com aumento da taxa de inflação, que em 1961 era de 43% aa, o dobro do observado em 1956, acarretando perda de poder aquisitivo do salário real.

Por outro lado, a dívida flutuante federal (de curto prazo) saltou de Cr$ 145,5 milhões para Cr$ 444,9 milhões, um aumento de 205% resultado de déficits fiscais crescentes (despesa pública maior que receita).

Com o golpe de estado de 1964, JK teve seus direitos políticos cassados pelo governo militar. Mas logo estava articulando seu retorno político com apoio do sempre e fiel amigo Negrão de Lima, seu ex-ministro.

JK morreu em um suspeitíssimo acidente de trânsito na rodovia Pres. Dutra em 22 de agosto de 1976, onde não faltaram dúvidas de que sua morte foi orquestrada pelos militares. Da mesma forma e no mesmo ano que foi assassinada a talentosa estilista Zuzu Angel, no Rio de Janeiro, também em acidente de trânsito deliberadamente provocado.

JK entrou para a história pela criação de Brasília como nova capital federal, o que alterou profundamente a estrutura sócio – econômica do Centro Oeste, bem como pelo seu Plano de Metas que apesar de incompleto foi uma das primeiras tentativas de consolidar o nacional desenvolvimentismo.


João Neutzling Jr. é Economista, Bacharel em Direito, Mestre em Educação, Auditor estadual, Professor e escritor. (jntzjr@gmail.com)

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