Angola, 50 anos de independência

Por João Neutzling Jr.

Após a Revolução dos Cravos de 1974 em Portugal vários países africanos que eram colônias portuguesas (assim como o Brasil) iniciaram sua efetiva luta pela independência. Angola conquistou sua independência em 1975 (há 50 anos) junto com Moçambique, Cabo Verde entre outros.

A partir de sua independência em 11/11/1975, Angola mergulhou em uma guerra civil que só terminou efetivamente em 2002. De um lado estava o Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), liderado pelo médico Agostinho Neto (1922-1979) e por José Eduardo dos Santos (1942-2022), que lutavam contra o colonialismo português. Na outra ponta estava a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), liderada por Jonas Savimbi, que recebeu apoio dos EUA e da África do Sul, que na época vivia sob o regime racista do Apartheid.

Estima-se em 500 mil o número de vítimas fatais da guerra civil (1975-2002). Grande parte da infraestrutura do país foi destruída, assim como incêndios criminosos em lavouras de cana de açúcar, café e outras, e conflitos tribais e étnicos que desbancavam para massacres hediondos de centenas de etnias.

Um dos corolários deste conflito foi que o país se tornou o mais armadilhado do mundo, com mais de 15 milhões de minas terrestres escondidas no solo. Era cena corriqueira em Luanda, Huambo, e Cabinda ver homens e mulheres com pernas amputadas caminhando com bengalas. Estima-se que são 80 mil vítimas fatais e todo ano cerca de 500 novas pessoas são vitimadas pelas minas terrestres. Os campos minados estão na margem das rodovias e em dezenas de vilarejos.

A situação era tão catastrófica e trágica que a então Princesa Diana da Inglaterra, na época casada com o Príncipe Charles, se empenhou pessoalmente em uma visita em 1997 a Angola para alertar ao mundo sobre a terrível situação da população civil vítima inocente dos campos minados. Era o país com o maior número de pessoas amputadas do planeta.

A paz veio finalmente em 2002. Tanto a UNITA quanto MPLA depuseram armas e disputaram eleições livres para compor o parlamento e o poder executivo nacional. Iniciou-se um processo de reconstrução da infraestrutura nacional com investimentos em pontes, rodovias, ferrovias e saneamento básico.

A arte e cultura angolana renasceram mostrando toda a criatividade e musicalidade do povo africano com variados ritmos nacionais. Quem não lembra da danza Kuduru que foi tema de abertura da novela Avenida Brasil de 2012?

Outro nome que não pode ser olvidado neste cenário de descolonização africano é Samora Machel (1933-1986) que lutou pela independência de Moçambique. Sua viúva, Graça Machel, posteriormente casou com Nelson Mandela, um dos maiores líderes políticos da África que lutou contra o regime racista de Pretória.

Muito da situação de Angola e demais países africanos e asiáticos nos era apresentado pela renomada publicação Cadernos do Terceiro Mundo que sempre trazia reportagens bem analíticas sobre a geopolítica mundial, a partir de um ponto de vista do sul. Leitura imprescindível para se compreender a realidade universal.


Após a Revolução dos Cravos de 1974 em Portugal vários países africanos que eram colônias portuguesas (assim como o Brasil) iniciaram sua efetiva luta pela independência. Angola conquistou sua independência em 1975 (há 50 anos) junto com Moçambique, Cabo Verde entre outros.

A partir de sua independência em 11/11/1975, Angola mergulhou em uma guerra civil que só terminou efetivamente em 2002. De um lado estava o Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), liderado pelo médico Agostinho Neto (1922-1979) e por José Eduardo dos Santos (1942-2022), que lutavam contra o colonialismo português. Na outra ponta estava a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), liderada por Jonas Savimbi, que recebeu apoio dos EUA e da África do Sul, que na época vivia sob o regime racista do Apartheid.

Estima-se em 500 mil o número de vítimas fatais da guerra civil (1975-2002). Grande parte da infraestrutura do país foi destruída, assim como incêndios criminosos em lavouras de cana de açúcar, café e outras, e conflitos tribais e étnicos que desbancavam para massacres hediondos de centenas de etnias.

Um dos corolários deste conflito foi que o país se tornou o mais armadilhado do mundo, com mais de 15 milhões de minas terrestres escondidas no solo. Era cena corriqueira em Luanda, Huambo, e Cabinda ver homens e mulheres com pernas amputadas caminhando com bengalas. Estima-se que são 80 mil vítimas fatais e todo ano cerca de 500 novas pessoas são vitimadas pelas minas terrestres. Os campos minados estão na margem das rodovias e em dezenas de vilarejos.

A situação era tão catastrófica e trágica que a então Princesa Diana da Inglaterra, na época casada com o Príncipe Charles, se empenhou pessoalmente em uma visita em 1997 a Angola para alertar ao mundo sobre a terrível situação da população civil vítima inocente dos campos minados. Era o país com o maior número de pessoas amputadas do planeta.

A paz veio finalmente em 2002. Tanto a UNITA quanto MPLA depuseram armas e disputaram eleições livres para compor o parlamento e o poder executivo nacional. Iniciou-se um processo de reconstrução da infraestrutura nacional com investimentos em pontes, rodovias, ferrovias e saneamento básico.

A arte e cultura angolana renasceram mostrando toda a criatividade e musicalidade do povo africano com variados ritmos nacionais. Quem não lembra da danza Kuduru que foi tema de abertura da novela Avenida Brasil de 2012?

Outro nome que não pode ser olvidado neste cenário de descolonização africano é Samora Machel (1933-1986) que lutou pela independência de Moçambique. Sua viúva, Graça Machel, posteriormente casou com Nelson Mandela, um dos maiores líderes políticos da África que lutou contra o regime racista de Pretória.

Muito da situação de Angola e demais países africanos e asiáticos nos era apresentado pela renomada publicação Cadernos do Terceiro Mundo que sempre trazia reportagens bem analíticas sobre a geopolítica mundial, a partir de um ponto de vista do sul. Leitura imprescindível para se compreender a realidade universal.


João Neutzling Jr. é economista, bacharel em Direito, mestre em Educação, Auditor Estadual,  professor e escritor. (jntzjr@gmail.com)

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