Palestra sobre Financeirização marca lançamento da Revista Achados de Auditoria
Texto: CEAPE-Imprensa / Fotos: Jorge Neves
O CEAPE-Sindicato realizou na última quinta-feira (25/6) o debate: A Financeirização e suas Consequências para a Sociedade Brasileira, com o lançamento da 14ª edição da Revista Achados de Auditoria. O evento, que ocorreu no auditório da Escola Francisco Juruena, na sede do TCE-RS, também marcou a passagem dos 41 anos de fundação da entidade. O palestrante convidado foi o economista Miguel Bruno, professor da UERJ e do Mackenzie Rio. E o patrocínio ficou por conta do Banrisul, Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-RS) e do Sindicato dos Engenheiros (Senge-RS).
Abrindo a cerimônia, o diretor-geral da Escola Superior de Auditoria Pública (Esap), Sandro Trescastro Bergue, destacou a relevância da revista Achados de Auditoria. “É mais um espaço em que nós podemos debater, discutir de forma crítica, refletirmos todos sobre temas que são transversais à administração pública, à sociedade, ao controle externo em particular.” Ele lembrou que a ESAP, em conjunto com o CEAPE e a revista, são pilares fundamentais para promover esse ambiente de debate técnico e conscientização social sobre os temas que impactam a administração e a sociedade.
Em seguida, o Conselheiro Cezar Miola, representando a presidência do Tribunal de Contas do RS (TCE-RS) e a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), parabenizou o CEAPE pela relevância do tema e pela nova edição da revista. Ele destacou os 91 anos do TCE-RS, nesta sexta-feira (26/6), salientando o papel de vanguarda e a solidez construída ao longo de quase um século de atuação no controle e na fiscalização dos recursos públicos gaúchos. Acrescentou que os órgãos de controle não carecem de meios jurídicos, normativos ou operacionais. “O foco central deve ser cumprir rigorosamente a missão de zelar pela boa, correta, eficiente e eficaz aplicação dos recursos arrecadados da sociedade por meio de tributos”.
A apresentação e lançamento da 14ª edição da Revista Achados de Auditoria ficou a cargo do presidente do CEAPE-Sindicato, Hildebrando Pereira, que apontou a escolha do tema “A Financeirização e suas consequências para a sociedade brasileira” como uma provocação de extrema importância para o debate público e técnico das carreiras de auditoria. Segundo ele, discutir a financeirização vai além de analisar planilhas econômicas, “trata-se de compreender como as dinâmicas financeiras globais e nacionais restringem o orçamento público, impactam a formulação de políticas sociais e interferem diretamente no cotidiano e nos direitos dos cidadãos”, pontuou. Hildebrando agradeceu à equipe responsável pela confecção da revista, aos parceiros institucionais, aos patrocinadores, autoridades e convidados.
Ainda fizeram uso da palavra, os patrocinadores Cristian Kettz, gerente comercial do Banrisul; Cezar Henrique Ferreira, presidente do SENGE e Fausto Steffen, Vice-Presidente do CAU-RS. Todos ressaltaram a importância da publicação Achados de Auditoria, que cumpre o papel de dar visibilidade e análise qualificadas, fortalecer a transparência e contribuir para o aprimoramento das instituições e políticas públicas.
O fenômeno da Financeirização
O evento prosseguiu com a palestra do professor e economista Miguel Bruno. Doutor em Economia pela Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais – EHESS/Paris e em Economia do Desenvolvimento pela UFRJ, ele abordou como a economia contemporânea passou a ser dominada por uma “engrenagem” onde a lógica financeira se sobrepõe à economia real (produção e emprego). Conforme o economista, “o modelo financeirizado cria amarras que dificultam o investimento no setor produtivo, na infraestrutura e nos serviços públicos essenciais, uma vez que o capital busca prioritariamente a rentabilidade rápida e especulativa de curto prazo”.
Pesquisador focado em financeirização, regimes de crescimento subordinados à acumulação rentista-financeira e economia das desigualdades, Miguel Bruno salientou o custo social elevado desse modelo, que acentua a desigualdade. Criticou a falta de conscientização e a desinformação da população geral sobre o tema, já que os canais tradicionais de jornalismo econômico tendem a blindar ou não explicar o funcionamento dessa dinâmica financeira para o cidadão comum.
Diante desse cenário, o palestrante apontou que, historicamente, a superação de um modelo econômico nocivo ocorre de duas formas: através de um novo pacto político (o que exige alta conscientização social) ou por meio de uma grande crise econômica. No entanto, ele alerta que a mudança via crise traz um custo social drástico e abre perigosamente o horizonte para extremismos políticos (como a extrema-direita).


















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